Cia. Elevador de Teatro Panorâmico celebra 20 anos de trajetória com a estreia de Tebas no Sesc Bom Retiro

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Com direção e idealização de Marcelo Lazzaratto, espetáculo reúne na mesma dramaturgia as três peças da Trilogia Tebana de Sófocles: Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona

Bastante conhecida por discutir questões do mundo contemporâneo a partir da encenação dos clássicos teatrais, a Cia. Elevador de Teatro Panorâmico comemora suas duas décadas de existência com a estreia de Tebas. O espetáculo estreia dia 19 de maio no Sesc Bom Retiro, onde fica em cartaz até 25 de junho, com apresentações de quinta a sábado, às 20h.

Com direção e dramaturgia cênica de Marcelo Lazzaratto, o espetáculo reúne na mesma peça toda a Trilogia Tebana, de Sófocles, composta por “Édipo Rei”, “Édipo em Colono” e “Antígona”. Além do próprio diretor, o elenco conta com Carolina Fabri, Eduardo Okamoto, Marina Vieira, Pedro Haddad, Rita Gullo, Rodrigo Spina, Tathiana Botth e Thaís Rossi.

“A dramaturgia entrelaça as três peças, mas mantém as palavras originais de Sófocles. O que eu fiz foi seguir o entrelaçamento dos três tempos num tempo só, por conta dessa percepção de que o mito é sempre presente, é sempre estável. Embora haja essa cronologia entre as peças, pensando miticamente tudo coexiste. Mas não se trata de um tempo cronológico, e sim eterno, constante, inexorável”, explica o encenador.

Para isso, tudo gira em torno da figura de Édipo. Já envelhecido e cego em Colono, o subúrbio de Atenas, ele “vê” seu passado quando ainda era Édipo Rei e “enxerga” o futuro da sua família através dos acontecimentos que envolvem sua filha Antígona.

Assim, os três tempos vão se justapondo, sem uma relação necessária de causa e efeito. E o Coro, interpretado por um único ator, perpassa os tempos assim como Édipo, pois sabemos que ao fim e ao cabo somos todos nós, cidadãos comuns, que atravessamos as épocas e seus imaginários, geração seguida de geração, sempre sujeitos aos governantes e aos seus sistemas de governo.

Em “Édipo Rei”, Sófocles narra o destino trágico do protagonista, que assassina sem querer o próprio pai, Laio, e se casa com a mãe, Jocasta. Sentindo-se culpada pelo incesto, a rainha comete o suicídio, Édipo fura os próprios olhos e decide abandonar Tebas.

A exaustiva perambulação do antigo rei depois do exílio de Tebas é narrada em “Édipo em Colono”. Como punição por seus atos, Édipo se torna um refugiado em terra estranha e caminha sem destino, conduzido por sua filha Antígona. Ele clama aos deuses pelo perdão e para encontrar um lugar para repousar.

Enquanto isso, Polinices e Etéocles, os filhos de Édipo, que não ligam para o destino do pai, estão em disputa por terra e poder, o que leva ambos à morte. Sem ter quem assuma o trono, Creonte, o tio deles, torna-se rei. Então, ele manda enterrarem Etéocles com todas as honrarias e proíbe que enterrem Polinices, deixando-o exposto à putrefação. A peça “Antígona” narra a luta da filha de Édipo para conquistar o direito de sepultar o corpo do irmão de acordo com os ritos funerários apropriados.

Ainda de acordo com Lazzaratto, a Trilogia Tebana discute temas atemporais e extremamente relevantes para a vida contemporânea, como patriarcado; tirania e democracia; território e exílio; masculino e feminino; guerra e paz; lei divina e lei humana; destino e livre arbítrio.

“Essas dualidades tão controversas são fundamentais. Parece-me que o tempo contemporâneo necessita que entremos em contato com esses grandes valores para que possamos nos entender como sociedade, contestar preceitos e nos reorganizarmos. O mito é estável, a sociedade é que muda. E, na minha opinião, no mundo tão fragmentado, caótico e desequilibrado em que vivemos hoje, ainda mais no Brasil, estabelecer diálogos com a estabilidade do mito pode favorecer um tipo específico de ação e de pensamento”, comenta.

Há quase 30 anos o encenador desenvolve o sistema de atuação improvisacional chamado Campo de Visão, que dialoga muito bem com o clássico. “Somos um grupo de linguagem cênica e temos esse sistema de trabalho que se tornou nossa personalidade artística. Ele serve para qualquer formato e a gente sempre volta a estabelecer o diálogo entre Campo de Visão e os clássicos, porque uma coisa renova, recicla, reconsidera e reavalia a outra”, reflete Lazzaratto sobre sua metodologia também presente em Tebas.

Cia. Elevador de Teatro Panorâmico

A Cia. Elevador de Teatro Panorâmico é um núcleo permanente de investigação em linguagem teatral fundado em 2000, na cidade de São Paulo. Apropriando-se dos mais diversos temas, dialoga diretamente com o homem contemporâneo, estabelecendo um trabalho de pesquisa e criação, propondo a junção da verticalidade dessa pesquisa com a horizontalidade de sua abrangência ao público.

Ao longo de 22 anos de trajetória, a Cia. desenvolveu um repertório de 18 espetáculos – que cumpriram temporada e se apresentaram em diversas cidades brasileiras e participaram de inúmeros festivais -, além de organizar oficinas, cursos, encontros, seminários, workshops e mostras. Desde 2006 mantém uma sede, o Espaço Elevador, teatro que se propõe como centro gerador e propagador de cultura, ampliando o diálogo entre artistas da cena e nossa cidade. Hoje a Cia. – por onde já passaram mais de 50 artistas -, é constituída pelo diretor artístico, Marcelo Lazzaratto e por Carolina Fabri, Pedro Haddad, Rodrigo Spina, Tathiana Botth e Thais Rossi.

Sinopse

Em Tebas, a Cia. Elevador cria um entrelaçamento das três peças que compõem a Trilogia Tebana: Édipo Rei, Antígona e Édipo em Colono, que discutem alicerces fundamentais de nossa sociedade: tirania e democracia; patriarcado, território e exílio; destino e livre arbítrio.

Nessa nova dramaturgia, Édipo está nos três tempos vivenciando os dilemas, os mistérios, as dores, as perdas, as guerras, as angústias que atormentam Tebas e seus habitantes, uma figura humana que vê e revê incessantemente as causas e consequências de suas escolhas, e o Coro, interpretado por um único ator, assim como Édipo, perpassa os tempos, pois sabemos que ao fim e ao cabo somos todos nós, cidadãos comuns, que atravessamos as épocas e seus imaginários geração seguida de geração sempre sujeitos aos governantes e aos seus sistemas de governo.

Ficha Técnica:

Dramaturgia Cênica e Direção: Marcelo Lazzaratto

Assistência de Direção e Preparação Corporal: Dirceu de Carvalho

Atores da Cia.: Carolina Fabri, Marcelo Lazzaratto, Pedro Haddad, Rodrigo Spina, Tathiana Botth e Thaís Rossi

Atores convidados: Eduardo Okamoto, Marina Vieira e Rita Gullo

Iluminação: Marcelo Lazzaratto

Cenário: Julio Dojcsar

Figurino: Silvana Marcondes

Música original: Dan Maia

Técnicos de Som: Anderson Moura e Gabriel Bessa

Técnico de Luz: Lui Seixas

Contrarregra: Tiago Moro

Costureira: Atelier Judite de Lima

Cenotécnico: Fernando Lemos (Zito)

Adereços: Marina Vieira

Maquiagem: Cia. Elevador de Teatro Panorâmico

Interpretação em Libras: Fabiano Campos

Audiodescrição: Bell Machado – QUESST CONSULTORIA EM ACESSIBILIDADE CULTURAL

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Fotografia: João Caldas

Projeto Gráfico: Alexandre Caetano / Oré Design Studio

Assistência de Produção: Larissa Garcia

Produção executiva: Marcelo Leão

Produção: Anayan Moretto

Realização: Cia. Elevador de Teatro Panorâmico

Serviço:

Tebas – Com Cia. Elevador de Teatro Panorâmico

De 19/5 a 25/6. De quinta a sábado, 20h.

Tradução em Libras nos dias 03 e 04/06

Audiodescrição nos dias 10 e 11/06.

Ingressos: R$ 12 (Credencial Plena) R$ 20 (Meia) e R$ 40 (Inteira)

Classificação etária: 12 anos

Duração: 2h50 (com intervalo)

COMPROVANTE DE VACINAÇÃO

Pessoas com mais de 12 anos deverão apresentar comprovante de vacinação contra COVID-19, evidenciando DUAS doses ou dose única para ingressar em todas as unidades do Sesc no estado de São Paulo. Crianças de 5 a 11 anos devem apresentar o comprovante evidenciando UMA dose (conforme calendário do município). O comprovante pode ser físico (carteirinha de vacinação) ou digital e um documento com foto. Recomendamos o uso de máscara. O uso de máscaras permanece obrigatório nos espaços de atendimento odontológico, ambulatórios e locais de exames dermatológicos. O acesso às unidades do Sesc está sujeito a legislação municipal referente à COVID-19.

TRANSPORTE GRATUITO

O Sesc Bom Retiro oferece transporte gratuito entre a Estação da Luz (Saída da CPTM, sentido Praça da Luz e José Paulino) para o Sesc Bom Retiro. Horários de Ida: Quinta, Sexta e Sábado, das 17h30 às 19h50. Domingo a partir das 13h às 15h50. Volta: Ao término do espetáculo até à estação Luz.

ESTACIONAMENTO DO SESC BOM RETIRO

O estacionamento do Sesc oferece espaço para pessoas com necessidades especiais, carros de baixa emissão, carros elétricos e bicicletas. A capacidade do estacionamento é limitada. Os valores são cobrados igualmente para carros e motos. Entrada: Alameda Cleveland, 529.

Valores do estacionamento: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional (Credencial Plena). R$12 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional (Outros). Valores para o público de espetáculos à noite R$ 7,50 (Credencial Plena). R$ 15,00 (Outros).

Horários: Terça a sexta: 7h30 às 20h. Sábado: 10h às 20h. Domingo: 10h às 18h. IMPORTANTE: Em dias de espetáculos o estacionamento funciona até o término da apresentação.

Sesc Bom Retiro

Alameda Nothmann, 185. CEP 01216-000. Campos Elíseos, São Paulo – SP. Telefone: (11) 3332-3600

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